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São Paulo, São PAulo
Sou ex-coordenadora Pedagógica,hoje sou professora de Desenvolvimento Infantil da prefeitura de São Paulo, formada em Pedagogia e em Artes Plásticas, tenho 25 anos, tenho uma deficiência Visual e faço parte das pessoas que acreditam que só com uma boa educação podemos mudar o mundo e a nossa condição social, pois o ensino liberta, é capaz de formar opiniões, quebrar paradigmas e construir um mundo melhor

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Atividades de Artes


Representações da Paisagem



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Arte

Conteúdo
Arte em Diferentes Épocas e Lugares

Introdução

A paisagem, gênero artístico fundamental nas classificações da pintura, pode representar diferentes contextos de tempo e espaço e oferece aos observadores passeios imagináveis. Um dos períodos da História da Arte em que a paisagem fez-se muito presente é o impressionismo, movimento de pintura que se originou na França, nos anos 1860. À época, o interesse dos artistas era a busca e representação da luz natural e suas variantes, o que os levou a sair de seus ateliês em busca de paisagens à luz do dia para serem pintadas. Fascinados pela relação entre luz e cor, evitavam cenas religiosas ou românticas para se concentrar apenas nas paisagens e cenas do dia-a-dia. Uma mesma paisagem ou cenário era pintado várias vezes a partir das mudanças e impressões causadas pela incidência do sol. O educador pode exemplificar a temática por meio das obras do principal expoente do impressionismo, o pintor Claude Monet seu quadro Impressão Levantar do sol, aliás, foi a inspiração para o nome do movimento artístico. Depois de conhecerem as obras dos artistas apresentados, o professor pode propor aos alunos que representem sua realidade usando a observação e a imaginação.

Objetivos

- Aguçar o olhar através do desenho de observação do entorno;
- Imaginar novas realidades a partir do desenho;
- Fazer com que o aluno perceba diferentes realidades sociais.

Conteúdos

- Desenho de Observação;
- Desenho de imaginação;
- Características e contexto da obra de Claude Monet.

Ano

1º e 2º

Tempo estimado
1 aula

Materiais Necessários

O educador pode escolher reproduções de obras do pintor Claude Monet, artistas significativo do Impressionismo. Lápis grafite, lápis de cor. Giz de cera, papel Canson tamanho A3.

Desenvolvimento das atividades

Tipos de paisagem

O interesse nessa aula não é que o aluno tenha uma iniciação no ensino da história da arte e nem uma preocupação com a luz e suas representações. O período histórico é o foco do trabalho, pois a partir das imagens é possível apresentar levantar questões sobre tempo, localização, comparação da época, roupas, despertando um interesse pela obra de Monet. Há que se atentar que o assunto será abordado para crianças de 1ª e 2ª séries, algumas das quais não aprenderam nem a ler. O impacto visual das obras deve ser explorado.

A atividade é simples: depois de uma breve conversa sobre as obras de Monet, o educador deve fazer a entrega do material e pedir para que os alunos dobrem ao meio a folha de papel canson A3. Todos devem sair da sala de aula procurando espaços aonde possam sentar-se no chão e desenhar. A quadra ou o pátio da escola podem ser ideais.

A proposta é que os alunos representem, de um lado da folha, uma parte da escola que estejam observando. O educador pode pedir para que cada um escolha uma paisagem da própria escola para desenhar. Nessa fase, a abordagem é direcionada ao desenho de observação. No verso da folha, o educador pode pedir para que os alunos façam o mesmo desenho mas, dessa vez, interferindo com elementos que ele gostaria que estivessem presentes na produção, usando a imaginação. Pode ser necessário usar uma próxima aula para a atividade que envolve a segunda representação.

Outra opção de atividade, que pode ser feita com o mesmo material, é pedir para os alunos dividirem a folha ao e sugerir temas como a representação da paisagens rurais e paisagens urbanas ou mesmo situações que retratem a localização e a realidade dos alunos. Enfim, cabe ao educador buscar caminhos para despertar a imaginação e criatividade. Para finalizar, conversar com os alunos sobre suas produções e escolhas.

Sumiê



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Arte

Conteúdo
Gêneros

OBJETIVOS

■ Pesquisar a arte chinesa.
■ Explorar materiais e técnicas artísticas.
■ Pintar com a técnica do sumiê.
■ Apreciar a própria obra e a dos colegas.

CONTEÚDOS
■ Arte chinesa.
■ Pintura chinesa (sumiê).

ANOS 2º ao 5º.

TEMPO ESTIMADO: Dois meses.

MATERIAL NECESSÁRIO

Reportagens sobre cultura e arte chinesas, uma lenda chinesa (sugestão: Os Dez Sóis Que Se Apaixonaram pelas Doze Luas), papel canson, aquarela sólida, pincéis redondos de diferentes tamanhos, cartolina, tesoura, giz de cera, adesivo de dupla face, caneta esferográfica grossa e papel cartão, máquina fotográfica e filmadora.

DESENVOLVIMENTO

■ 1ª ETAPA

Organize uma roda para apresentar o projeto e os conteúdos que serão trabalhados. Em seguida, peça que cada criança imagine um lugar na China e o desenhe em folha branca,
com lápis de cor. Pendure as obras e discuta os resultados. Qual o motivo da escolha daquela paisagem? E das cores? Que sentimentos as pinturas transmitem? Avalie os conhecimentos que a turma já tem sobre a cultura ou a estética do país. Como lição de casa, solicite uma pesquisa sobre artes plásticas, moda, arquitetura e cinema chineses. Selecione o material levado pelos alunos e organize-os em grupos de quatro. Distribua cartolina, cola, tesoura, caneta hidrocor, lápis de cor e giz de cera e oriente-os a fazer um
cartaz com texto e imagens sobre uma das áreas pesquisadas. Reserve uma aula para as apresentações. Sistematize as novas informações, chamando a atenção para os aspectos típicos da arte chinesa, como os traços que guiam as formas e as pinceladas soltas. Leve
outros materiais para consulta.

■ 2ª ETAPA

É hora da primeira apreciação. Apresente informações sobre artistas clássicos, como o pintor Shi Tao (1630-1724), e contemporâneos, como Chen Kong Fang, Wu Guanzhong, Chan Chi Vai, Chan Ka Son, Chau Van, Che Ho e Massao Okinaka (1913-2000), que
introduziu o sumiê no Brasil. Fale sobre as características da técnica e selecione obras de pelo menos dois pintores. Incentive a comparação entre elas, fazendo perguntas relativas a cores, formas e linhas. Há diferença entre o sumiê antigo e o contemporâneo? E entre a arte chinesa e a ocidental?

■ 3ª ETAPA

Leia para a turma o conto Os Dez Sóis Que Se Apaixonaram pelas Doze Luas. No meio da história, as escritas chinesas se tornam enigmas. Convide os alunos a decifrá-las e peça que escolham passagens para representar com pinturas. Distribua papel canson, aquarela e pincel redondo. Cada estudante deve fazer cinco produções, usando o pincel com força ou leveza, deitado ou em pé, com tinta diluída ou espessa, e posicionar a mão de diversas maneiras para fazer manchas, linhas e pontos. Deixe os trabalhos deitados até que sequem.

■ 4ª ETAPA

Pendure tudo em um varal para um segundo momento de apreciação. Pergunte sobre as semelhanças e diferenças entre o sumiê visto nas aulas anteriores e o que produziram.

PRODUTO FINAL
■ Exposição de arte. Separe registros de todas as etapas do projeto e monte um painel com as observações que você fez durante o processo. Na exposição, todos devem se revezar para receber os visitantes e dar as explicações necessárias.

AVALIAÇÃO

No fim de cada aula, anote hipóteses, percepções e interpretações dos estudantes. Na última aula, em roda de conversa, peça que relatem o que mais gostaram e as justificativas das escolhas feitas nas diversas etapas.

Auto-retrato
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Arte
Conteúdo

Gêneros

OBJETIVOS
■ Apreciar trabalhos de artistas que são referência em auto-retrato.
■ Fazer auto-retrato com desenho e pintura.
■ Atribuir signos à própria imagem.
■ Identificar marcas pessoais na maneira de desenhar e pintar.

CONTEÚDOS

■ Auto-retrato.
■ Apreciação de obra de arte.
■ Desenho e pintura.

ANOS 2º ao 5º.

TEMPO ESTIMADO Doze aulas.

MATERIAL NECESSÁRIO

Livros com reproduções de auto-retratos e reproduções de imagens em transparência, retroprojetor, lápis de cor, folhas de papel sulfite, papel craft ou cartolina branca, caneta hidrocor, giz de cera, espelhos portáteis, pincéis, tinta guache (nas cores primárias, preta e branca), recipientes para água e mistura de tintas, fotografias dos estudantes (antigas e atuais) e telas para pintura ou papelão, preparado com mistura de guache e cola brancos.

DESENVOLVIMENTO

■ 1ª ETAPA

Na primeira aula, apresente o planejamento do projeto, os materiais e o resultado esperado. Pergunte o que a classe já fez em Arte e os pintores conhecidos. Mostre
imagens de retratos e auto-retratos de artistas de diferentes épocas (como Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Vincent Van Gogh [1853-1890] e Rembrandt van Rijn [1606-1669]).
Elabore questões que instiguem a busca por semelhanças e diferenças no modo de pintar e a descoberta de expressões preferidas de cada um. Ao mesmo tempo em que conduz a apreciação, dê informações sobre o artista. Nas aulas seguintes, escolha um pintor que tenha produzido vários auto-retratos, levando em conta a história e os interesses do grupo. Apresente pelo menos cinco reproduções que caracterizem seu estilo ou as fases pelas quais passou. Converse com a turma sobre elementos formais, como cor, harmonia, contraste, tipo de pincelada e o significado das imagens. Em novo momento de análise,
mostre o trabalho de outro pintor para comparar e evidenciar as marcas pessoais. Alterne situações de apreciação e produção para que os estudantes entrem em contato com o mesmo conteúdo conhecendo diferentes pontos de vista. Distribua folhas de papel sulfite branco e lápis de cor e peça que recriem, de memória, uma das imagens mostradas. Observe o que mais chamou a atenção durante a observação e pergunte o motivo da escolha. Preste atenção: crianças de 4º e 5º anos geralmente usam mais elementos simbólicos do que as de 2º e 3º, que, por sua vez, se fixam mais em cores e formas. Se algum desenho for apenas um traço, converse com o aluno sobre a idéia que ele deseja transmitir, estimulando-o a lembrar detalhes que remetam à mensagem, e ajude-o a incluí-los na produção.

■ 2ª ETAPA

Agora é hora de explorar a observação do corpo. Oriente a turma a contornar a mão no papel, a desenhar símbolos dentro do traço e a pintá-los. Ao mesmo tempo, arme um retroprojetor com a luz voltada para a parede. Em duplas, a turma deve fazer silhuetas em
uma folha de papel craft presa à parede. Em seguida, acomode as produções no chão para que sejam criados, com giz de cera, elementos que caracterizem cada um deles. Na aula
seguinte, distribua os espelhos para a obervação do rosto. A garotada deverá agora fazer um auto-retrato com lápis de cor, em folha sulfite. Para o encontro seguinte, peça que as crianças tragam três fotos de casa: uma de quando eram bebê, outra, um pouco mais
velhas, e uma atual. Para formar uma seqüência, elas devem se representar como se imaginam no futuro. Assim, se perceberão como pessoas em constante transformação. Quem não tiver fotos pode se desenhar em três fases da vida. Oriente-as a pensar no que gostariam de ser quando adultos e a criar um fundo com diferentes paisagens ou ambientes.

■ 3ª ETAPA

Reserve três aulas para a pintura do auto-retrato em tela com tinta guache. Mostre novamente auto-retratos de artistas para que sejam observadas cores, pinceladas e a relação figura/ fundo. Separe a classe em grupos de quatro e distribua recipientes com
tintas das cores primárias e pincéis de diversos tamanhos. Sugira que todos façam misturas e revelem novos tons e cores. Intercale sempre as situações de produção com as de apreciação dos trabalhos. Isso vai permitir que a turma descubra o que mais pode fazer e que detalhes, pinceladas e cores é possível criar e experimentar. Na última aula,
promova um amplo debate sobre os auto-retratos e as marcas que apareceram na própria pintura e na dos colegas. No último encontro, oriente a garotada a organizar uma exposição.

PRODUTO FINAL

■ Exposição de arte aberta ao público. Monte uma mostra dos trabalhos e convide pais, professores e colegas das outras turmas. Exiba todas as atividades desenvolvidas para
que os visitantes conheçam a trajetória dos estudantes de Arte.


AVALIAÇÃO

Crie pautas de observação, aponte o que é importante cada série aprender e como os alunos se saem (se descobrem o uso de símbolos e utilizam novas cores, se colocam
mais detalhes e expressões faciais ou se de cada produção, organize momentos coletivos de apreciação. Nos auto-retratos, pergunte que transformações identificam nas criações e que marcas apreciam na tela dos colegas.

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Arte
Conteúdo

Desenho - Pintura - Colagem - Escultura

Mais sobre pintura

Planos de aula
• Oficina de percurso
• Experiências sensoriais

Objetivos

- Fabricar tintas e pincéis em diferentes tamanhos e formatos.
- Realizar pinturas com os instrumentos fabricados.

Conteúdo

Pintura.

Anos

3º e 4º.

Tempo estimado

Quatro aulas.

Material necessário

Para a fabricação dos pincéis: palitos de churrasco, de sorvete e de dente, varetas de bambu, gravetos (cabo), vassouras, escovas de dente e de roupa (pelos), linha, barbante e durex colorido (amarração). Para as tintas: água (solvente, usado para dissolver os ingredientes), terra e areia de diferentes tonalidades, sementes, carvão, folhas, pétalas, beterrabas, cenouras, maços de espinafre, pedaços de papel crepom embebidos em álcool, folhas de goiabeira e laranjeira, giz, pó de café (pigmentos, que conferem cor à tinta), cola branca, goma-arábica e gema de ovo (aglutinantes, que dão liga à mistura).

Preparação

Durante a coleta de materiais, atente para espécies de plantas venenosas ou que causem alergias, deixando-as fora da atividade. Oriente as crianças a não arrancar folhas e flores, mas coletá-las do chão.

Desenvolvimento

1ª etapa

Converse sobre os tipos de instrumento de Arte que os alunos conhecem e já utilizaram. Conte a eles que, ao longo da história, em diferentes épocas e regiões, as pinturas foram feitas com materiais muito diversos. Mostre imagens de referência. Convide o grupo a coletar materiais para criar ferramentas e jeitos de pintar. Explique que cada um dos instrumentos requer três elementos: o pincel precisa de cabo, pelos e um material para uni-los. As tintas usam aglutinante (para dar liga), pigmento (para dar cor) e solvente (para dissolver).

2ª etapa

Proponha a fabricação dos pincéis. Introduza questões que relacionem a forma com a função do instrumento: que tipo de pincel produz pinceladas finas? E grossas? O que usaríamos para pintar uma parede? Que tipo de pincel é melhor para pintar uma folha sobre a mesa? Incentive os alunos a montar quantos modelos desejarem e a usar a criatividade tanto na fabricação como na decoração das ferramentas - que pode ser feita com fita adesiva colorida, por exemplo.

3ª etapa

Na fabricação das tintas, convide as crianças a fazer distintas combinações. Mostre que é possível construir diferentes características de tonalidade, espessura, densidade e brilho.

4ª etapa
Peça que os estudantes experimentem as primeiras pinceladas. Oriente-os a testar diferentes suportes, dependendo do material que produziram. Por exemplo, um pincel feito com cabo de vassoura funciona melhor em um papel colocado no chão, preso à parede ou sobre a mesa? E uma tinta mais aguada, em que superfície se dará melhor? Incentive ainda a troca de tintas e pincéis.

5ª etapa

Peça que cada criança escolha o suporte que mais lhe agradou e, com seu pincel, faça várias pinturas, explorando as possibilidades das pinceladas, das cores etc. Se necessário, repita a produção de tintas que terminaram ou estragaram. O tema pode ser livre ou ter relação com algum projeto em andamento.

Avaliação

Organize um debate sobre as escolhas feitas, desde a coleta até as pinturas finais. Avalie se os alunos compreenderam a conexão entre o tipo de ferramenta utilizado e o resultado atingido.

Ateliê na sala de aula

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Arte

Conteúdo

Desenho - Pintura - Colagem - Escultura
Objetivo

Criar um ambiente adequado para o trabalho de arte visual.

Anos

1º ao 3º.

Tempo estimado

O ano todo.

Material necessário

Tintas, papéis, pincéis, sucatas, um carrinho e caixas.

Atividades

• Ateliê, do 1º ao 5º ano
• Oficina de percurso

Desenvolvimento

1ª etapa

Comece pensando nas possibilidades de reorganização do espaço para a aula de Arte, considerando o uso de carteiras e paredes. Explore também outras áreas, lembrando que é possível desenhar na areia, pintar sobre ladrilhos, riscar o cimento com giz e compor desenhos no chão com as folhas caídas de uma árvore.

2ª etapa

Utilize um carrinho para transportar tudo de uma sala para outra. Pode ser um carrinho de supermercado adaptado ou, ainda, uma caixa com rodinhas.

3ª etapa

Para evitar que a aula deixe "rastros", tenha à mão panos e jornais. Combine, ainda, que todos usem uma camiseta velha ou um avental na aula.

4ª etapa

Ajude os alunos a se familiarizar com o ateliê, ordenando os materiais por tipo (lápis e canetinhas de um lado, papéis de outro). Para incentivá-los a compartilhar, forneça copos descartáveis para dividir a tinta.

5ª etapa

Providencie um espaço para a apreciação montando uma grande bancada com mesas ou um varal para expor trabalhos.

6ª etapa

Pergunte o que é preciso fazer para que tudo fique arrumado e limpo no fim: lavar pincéis, jogar jornais sujos fora, guardar a tinta que sobrou, reorganizar carteiras, pendurar trabalhos prontos etc. Organize grupos e responsabilize cada um pela realização de uma dessas tarefas.

Avaliação

Avalie como os alunos lidam com a nova organização da sala e os materiais, verificando se devolvem tudo ao lugar e limpam os instrumentos adequadamente. Se nem todos tiverem finalizado suas produções, guarde-as para que possam continuá-las na próxima aula de ateliê.


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Arte

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Desenho - Pintura - Colagem - Escultura

Introdução

O aprendizado da arte não se esgota na aquisição de respostas e de regras. A aprendizagem inventiva possui duas características. Em primeiro lugar ela não se esgota na solução de problemas, mas inclui a invenção de problemas. Em segundo lugar, ela não é um processo de adaptação ao mundo externo, mas implica na invenção do próprio mundo.
Virgínia Kastrup

O contato dos alunos com a produção artística e a autonomia em relação ao fazer são determinantes na hora de planejar. Quando o professor considera as características do lugar em que vive e de seu grupo, a atividade ganha muito mais sentido, pois favorece a continuidade do percurso de criação pessoal. Por exemplo, se o grupo vive perto de um leito de rio que tem argila como matéria prima, então este material, muito abundante na região, pode fazer parte da atividade.
Conteúdo relacionado
Reportagens
• Experiências sensoriais
• A classe vira ateliê
• Arte com sementes
• Panoramas e perspectivas: Arte
Edição especial
• Especial de Arte
No início, é importante que os participantes apreendam o espaço, apropriem-se dele. O espaço precisa ter uma estrutura fixa, que vai sendo aos poucos organizado numa parceria entre professor e alunos. Pode ser na própria sala, num pátio coberto, no refeitório a escola. O nome da atividade, oficina de percurso, parte da idéia de que a sala de aula seja transformada em um ambiente propício e estimulante para o trabalho artístico pessoal, inspirado em ateliês de artistas.

A regularidade é fundamental para este tipo de atividade, por isto é importante que a constância seja definida pelo professor e comunicada as alunos. Contar para eles qual é o dia da semana em que irá ocorrer, marcar em um calendário ou quadro de rotina as datas e horários, ajuda os alunos a se organizarem no tempo e projetar idéias.

Diferente das situações propostas pelo professor, na oficina de percurso são os alunos que pensam nas propostas, a modalidade e materiais que precisam para concretizar suas idéias.

Objetivos

A oficina de percurso é uma estratégia fundamental para a construção e desenvolvimento do processo criador.

Ano

1º. ao 5º. ano

Tempo estimado

Atividade permanente

Materiais necessários

Meios: Os meios podem ser secos e aquosos.

Secos: giz de cera, giz pastel, lápis de cor, lápis grafite, giz de lousa, caneta hidrocor.

Aquosos: guache, anilina, nanquim, tintas de terra e outros pigmentos naturais.

Suportes: papel (para ser utilizado como suporte e retalhos para recorte e colagem), papelão, tecido, madeira, lixa, revistas, jornais. Normalmente os suportes são retangulares, eles podem ser alterados e oferecidos em diversidade de tamanho, forma, cor, textura, gramatura. As esculturas também podem ter suportes diferentes, tais como papelão em diferentes formatos e cores, madeira, sucata.

Para produção tridimensional: o trabalho tridimensional pode acontecer segundo dois princípios - modelagem e construção. Para a modelagem, alguns materiais possíveis são a argila, o papel, o algodão, o arame. Já para a construção a madeira e a sucata.

Ferramentas: pincéis, rolo, tesoura, palitos, martelo, esponjas, escova de dente, furador, grampeador, etc.

Elementos de ligação e outros: cola, fita crepe, durex, fios, barbante, grampos de papel, prego.

Elementos da natureza: terra, folhas, flores, sementes, pedras, cascas de árvores, galhos.

Desenvolvimento das atividades

Aula 1

- Organize uma bancada com materiais variados para que os alunos façam escolhas do que desejam realizar.

Para que as escolhas aconteçam de maneira autônoma, é necessário que os materiais oferecidos sejam conhecidos, que tenham sido utilizados em situações de propostas. Desta maneira, os alunos poderão aprofundar suas pesquisas em relação aos meios, suportes e ferramentas, de acordo com seu desejo, desenvolvendo pesquisas pessoais.

- Selecionar materiais de pelo menos duas modalidades – desenho e colagem, por exemplo
Uma gama reduzida de meios, suportes e ferramentas pode ser selecionada segundo critérios de possibilidades de novas combinações e descobertas, favorecendo a familiarização e um movimento autônomo na criação.

- Organizar a primeira oficina, para que sirva como referencia para as seguintes
Uma estrutura fixa pode ser organizada aos pouco e de modo compartilhado entre alunos e professor.

Professor e alunos podem pensar juntos:
- Quais os materiais poderão estar disponíveis?
- Como ficarão dispostos?
- Como as carteiras podem ser reorganizadas?
- Os bancos do pátio podem servir de bancadas?

Ver imagens de ateliês pode ajudar na concepção do espaço e organização dos materiais O professor vai orientando para que os materiais sejam organizados por tipos.

Assim, neste primeiro contato com a oficina de percurso, um longo tempo precisa ser dedicado à apresentação da atividade, mas os alunos também precisam experimentar o que significa estar em oficina, por isto é importante reservar pelo menos meia hora para a realização de trabalhos pessoais. Solicitar que conforme forem finalizando os trabalhos, pendurar em varal para que possam ser apreciados posteriormente.

É importante orientar para que peçam apoio dos colegas durante a produção, e se necessário, do professor.

O professor deve observar os alunos durante toda a atividade, fazendo intervenções individuais, conforme identifique a necessidade. Estas intervenções podem ser para dar apoio técnico, para conhecer mais o processo de cada um, para indicar caminhos e debater sobre idéias.

Aula 2

Apreciar os trabalhos realizados na oficina anterior pode ser um bom encaminhamento para a continuidade do processo iniciado.

Proponha aos alunos que compartilhem escolhas, conquistas e resultados. É importante que o professor analise antes da aula os trabalhos que serão apreciados, para planejar boas perguntas sobre eles. Não é necessário apreciar todos os trabalhos. Pode ser feita uma seleção dos que serão apreciados a partir de diferentes critérios, de acordo com o objetivo da apreciação.

Para uma primeira apreciação, uma sugestão é apreciar as modalidades que foram consideradas na oficina - desenho, pintura, colagem, escultura - e as possibilidades de combinação de modalidades e mistura de materiais, ou seja, o caráter experimental da atividade. Isto não significa que os alunos que preferem trabalhar única e exclusivamente com uma modalidade e material não possam realizar trabalhos de qualidade. Ao contrário, esta pode ser a idéias de uma próxima apreciação. Outra possível é debater sobre o tempo de realização de cada trabalho. Enquanto em uma oficina alguns alunos realizam mais de um trabalho, outros podem levar algumas aulas para finalização, o que precisa ser reconhecido entre os alunos como marca pessoal.

Outras sugestões de propostas para apreciação:
- Diante dos trabalhos de todo grupo, conversar sobre o processo de cada um, como tiveram a idéia do trabalho, mudanças no percurso.
- Selecionar um trabalho de cada modalidade, de alguns alunos, para debater sobre as suas características, os materiais utilizados, outras possibilidades.
- Selecionar alguns trabalhos na mesma modalidade, de diferentes alunos, para observar semelhanças e diferenças, e trocar possibilidades dentro da mesma modalidade.
- Selecionar vários trabalhos do mesmo aluno para observar marcas pessoais
- Trazer imagens de trabalhos de diferentes procedências para estabelecer diálogos entre a produção dos alunos e de outros agrupamentos.

Sucessivas apreciações, quando cuidadosamente planejadas, ajudam os alunos a aprender a falar sobre o que fazem, para além de bonito, feio, gostei de fazer, legal. Além disso, as propostas de apreciação favorecem a valorização da própria produção e a de outros.

Após a apreciação, que pode ocupar aproximadamente 20 minutos da oficina de percurso, partir para a produção. A oficina já deve estar organizada, na mesma estrutura da aula anterior, apenas com as modificações necessárias para tornar o espaço e organização de materiais mais adequados. Munidos das informações que circularam durante a apreciação, cada aluno pode partir para sua pesquisa artística pessoal.

Aula 3

Conforme a aquisição de autonomia para a criação for crescendo a gama de materiais devem ser ampliadas e a freqüência das oficinas de percurso bem como o tempo de duração da atividade também.

Além do desenho e colagem, podem ser incluídos materiais para realização de pintura. Quando uma nova modalidade passa a integrar a oficina, os alunos precisam ser comunicados e o espaço reestruturado para comportar esta alteração sem prejudicar a organização e a autonomia dos alunos. Para a pintura, podem ser reservados diferentes espaços, por exemplo, sobre a mesa, no chão para grandes formatos e na parede para aqueles que preferem pintar na vertical. As diferentes possibilidades de posição do suporte implicam em diferentes gestos para pintar, por isto, é importante que os alunos conheçam estas possibilidades também na situação de propostas (seqüência didática).

Produto final

Exposição de pelo menos 3 trabalhos de cada aluno que revelem suas marcas pessoais. Pode fazer parte da exposição um pequeno texto escrito pelo próprio aluno, para que conte aos visitantes algumas características de seu processo criador. As visitas podem ser acompanhadas pelos próprios alunos que podem fazer relatos sobre seu processo. Uma oficina de percurso pode ser oferecida aos visitantes, para que eles experimentem também esta estratégia.

Avaliação

É importante que ao longo de quatro oficinas de percurso, todos os alunos possam ser observados durante o processo. Quanto mais o professor conhecer características do percurso de cada aluno, mais precisas serão suas intervenções.

Avaliações do grupo todo precisam ser realizadas periodicamente, uma vez que as oficinas de percurso revelam o que os alunos sabem e o que mais precisam saber. Por exemplo, se o professor observa que nas colagens realizadas por alunos que escolheram trabalhar nesta modalidade, que podem conhecer mais possibilidades e procedimentos, o professor pode planejar uma seqüência para todos os alunos que favoreça um aprofundamento em relação a modalidade.

Ateliê

Bloco de Conteúdo
Arte

Conteúdo

Desenho - Pintura - Colagem - Escultura
Objetivo
Desenvolver o processo criador.

Conteúdo específico
Percurso de criação.

Anos
1º ao 5º.

Tempo estimado
Uma aula.

Material necessário

Giz de cera, lápis de cor, canetas, papel, tecido, revistas, tesoura, palitos, cola, fita crepe, barbante. Varie o material a cada proposta.

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Desenvolvimento

1ª ETAPA

Organize numa bancada materiais para modalidades já conhecidas pela turma (desenho ou colagem, por exemplo). Deixe cada aluno livre para aprofundar as pesquisas em relação a meios, suportes e ferramentas, descobrindo diferentes combinações. Pendure os trabalhos em varais.

2ª ETAPA

Selecione algumas produções para analisar coletivamente. Proponha que todos compartilhem escolhas e resultados, reconhecendo as marcas pessoais dos autores. Oriente-os a retomar a criação. Conforme eles ganhem autonomia, aumente a variedade de materiais, a freqüência das oficinas e o tempo de duração.

3ª ETAPA

Organize uma mostra com três pinturas de cada aluno. Peça que façam textos explicando os passos das produções. Os visitantes podem ser guiados pelos próprios autores.

Avaliação

articipe com apoio técnico individualizado, indicando caminhos e debatendo resultados.

A cor da expressão

Bloco de Conteúdo
Arte

Conteúdo
Desenho - Pintura - Colagem - Escultura

Ano
3º ou 4º anos

Tempo necessário
4 aulas

Introdução

A cor também é importante para que possamos expressar nossas idéias e sentimentos para outras pessoas, utilizando linguagens artísticas (pintura, desenho, gravura, teatro). É um elemento que tem significados diferentes para diferentes culturas e sua análise possibilita conhecer mais sobre suas possibilidades. Vamos nessa atividade explorar esses pontos apreciando algumas obras do pintor espanhol Pablo Picasso. Em seguida, os alunos desenharão e pintarão expressões de acordo com a cor que acreditam representar melhor essas expressões. Esse material, feito em cartões, será utilizado em jogos de memória e de adivinhação.

Objetivos

a) experimentar as possibilidades expressivas da cor;
b) interpretar e associar as cores às reações fisionômicas das pessoas, tanto no universo artístico quanto no cotidiano;
c) observar os significados das cores no cotidiano.

Material necessário

- Cartolina cortada em forma de cartões tamanho 10x15 cm;
- Lápis grafite;
- tinta guache;
- pinceis;
- imagens de pinturas de Picasso, principalmente da fase rosa e azul.

Organização da sala

Discussão sobre cores e das imagens de obras de Picasso: sala em 'u' ou em roda. Execução dos cartões: alunos em duplas.

Desenvolvimento da atividade/ procedimentos

Na primeira aula,

faça uma discussão com seus alunos sobre a presença e a importância da cor em nossa vida. Lembre-os de que as cores estão presentes nas roupas, nas frutas, nas casas, nos objetos, na propaganda, na televisão. Mostre exemplos com figuras de revistas, jornais, pinturas, rótulos.

Em seguida, explique aos alunos que além da cor estar presente em nossa vida cotidiana, ela é também um importante elemento de expressão em desenhos, pinturas, fotografias e filmes. Nesse ponto, você já pode começar a fazer com os alunos associações entre as cores e os sentimentos. Pergunte a eles que cor cada um acredita que representa a saudade, o amor, a tristeza ou a felicidade.

Se a escola contar com videocassete, selecione alguns desenhos infantis para mostrar como a cor também é usada nesse caso para expressar sentimentos e situações. Outra opção é pedir aos alunos que recortem de gibis figuras que tenham suas expressões reforçadas pelas cores.

As crianças também podem ser convidadas a fazer diferentes expressões faciais para que os colegas imaginem a cor de cada uma das expressões criadas.

Na segunda aula,

apresente aos alunos algumas imagens de pinturas da fase azul e da fase rosa do artista espanhol Pablo Picasso. Resgate a importância da cor nestes momentos de seu percurso em que ele retratou sentimentos de tristeza e paixão.

Relacione os acontecimentos da vida do pintor e do contexto histórico com as cores escolhidas por ele para as imagens de cada fase. Saliente aos alunos que, em suas vidas, eles podem escolher outras cores para a representação desses e de outros momentos e sentimentos.

Analise com seus alunos os quadros: A tragédia (fase azul) e Família do acrobata (fase rosa). São dois exemplos de utilização das referidas cores para a expressão de sentimentos que Picasso vivia nas épocas em que os pintou.

Como atividade final, sugira aos alunos que façam uma pintura para expressar um sentimento usando a cor para representá-lo. Diga aos alunos, que a intenção é experimentar uma relação parecida com a que o artista estabeleceu com estas pinturas, ressaltando que cada um pode colocar sua relação com as cores.

Na terceira aula,


faça com os alunos um levantamento sentimentos e sensações - alegria, amor, saudade, amizade, tristeza, raiva, violência, dor, medo, frio, cansaço. Desafie-os a relacionar os sentimentos e sensações com cores.

Proponha que os alunos retratem o colega com duas expressões diferentes, por exemplo, sorrindo e assustado. Reforce a idéia que os retratos sejam iguais nos dois cartões, modificando apenas a cor da pele e a linhas de expressão, pois eles formarão um jogo da memória ou cara-a-cara.

O importante é explorar a expressividade e o potencial gráfico da criança. Cada aluno deverá pintar dois retratos do colega.

Na quarta e última aula,

os alunos deverão usar os cartões preparados anteriormente para jogar. Veja as regras:

Jogo da Memória
Os alunos deixam todas as cartas viradas para baixo e tentam fazer os pares.

Cara a Cara

Um aluno escolhe um dos cartões e não mostra para o resto da turma. Os outros alunos elaboram questões sobre as características de cada expressão ("A boca está sorrindo?", "Os olhos estão com lágrimas?") para descobrir que sentimento ou cor estão representados no cartão escolhido. Este jogo de adivinhação é uma forma divertida e descontraída de se trabalhar os conceitos e percepções.

Avaliação

É importante lembrar que, ao estabelecer associações para as cores, o aluno estará fazendo uso de valores pessoais, que muitas vezes é determinado pela sua cultura, portanto, não existe certo ou errado nas atribuições, aliás, o mais interessante desta situação é confrontar os diferentes pontos de vista.

Verifique se o aluno resgata as idéias veiculadas nas discussões e na execução das pinturas nos cartões no desenrolar dos jogos.

Verifique se o aluno estabelece relação entre a cor, o sentimento e a expressividade através do desenho no cartão.

Aprofundamento de conteúdo
Estudar artistas do expressionismo alemão.

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